Prólogo
Nós nunca sabemos aonde a vida vai nos levar até que
chegamos lá, de fato, algumas pessoas nem mesmo sabem aonde chegam. Você sabe
onde está e porque está ai? Eu sabia exatamente porque estava novamente lá,
como nas duas noites anteriores, estava faminto por histórias. No momento que
eu relembro de sua extravagante autobiografia. Ele tinha um jeito mágico de
falar, fazia com que as pessoas sentissem os pesos de suas palavras. Eu fecho
os olhos e volto ao momento em que o tempo não controlava o homem, volto ao
tempo que o tempo não se contava, eu posso vê-lo claramente, espero não ter
sido amaldiçoado pelas suas palavras, talvez sim já que ele sempre sussurra á
meus ouvidos suas histórias, mesmo depois de meses que se foi. Escrevo na
esperança de que essas memórias que não me pertencem me deixem.
Sentado na primeira cadeira do gigante de aço, lado oposto
ao motorista, ele contava e olhava aos poucos as demais pessoas entrando,
imaginando o motivo de tantas pessoas desejarem um grau superior. Isso
realmente muda a vida de uma pessoa? Ele sempre imaginou o porquê da ânsia pelo
topo quando o que realmente o fascinava era o desconhecido, onde estaria aquele
que um dia escalou as mais gélidas montanhas apenas para atestar que não há
verde. Como era muito novo talvez ele ainda não tivesse muita noção do que
significaria estar numa universidade, ao menos era o que ele imaginava, não era
verdade, se o homem mais velho do mundo estivesse hoje vivo ele teria inveja da
sabedoria e maestria deste jovem que a mim só deixou às memórias. Toda vez que
as pessoas o parabenizavam e dizia o quanto ele era sortudo por poder estudar
ele fazia pouco caso, quase como se não sentisse tal conquista – como não
poderia no inicio do século XXI quando as pequenas cidades brasileiras ainda
sentiam o peso de viverem meados do século XX um jovem que sobrevive de dez
reais diários num emprego de nove horas diárias, passar em primeiro lugar em
todos os vestibulares o qual prestou.
Aos poucos ele ficava mais imerso em seus pensamentos
enquanto observava as pessoas entrando no ônibus, alguns rostos novos. Talvez
calouros que perderam o primeiro trimestre de aula ou que passaram em segunda
chamada, talvez as âncoras que não conseguem se livrar da universidade, isso
pouco importava.
Mais e mais pessoas iam entrando no ônibus quando de repente
ele empalideceu, eu nunca havia visto um homem pegar vermelhidão nos olhos e
perder a cor de forma tão abrupta, o coração dele provavelmente parou por um
instante. Ela estava lá! A única pessoa no mundo inteiro que tinha controle
sobre suas ações, ela era sua rendição, pelo menos foi o que ele dissera a seu
patrono, sorte dele que ela não sabia o quanto. Ele até escrevera isso em sua
carta magna, ao menos sua condescendência o fazia cometer essa blasfêmia várias
vezes mesmo que perdesse alguns dentes no processo. Felizmente ela passou
direto e sentou-se no fundo do ônibus.
- Eu achei que ela estivesse fazendo curso diurno, ou
estudante pra medicina. Ele sussurrava consigo mesmo quando Rebeca entrou e
sentou-se a seu lado. Incrivelmente era a única pessoa com quem ele podia
sinceramente se comunicar e sentava-se naquele ônibus colossal.
-Como você está se sentindo hoje? Ela perguntava animada com
um sorriso no rosto, os dentes eram pequenos, mas naquele momento pareciam ser
os maiores e mais brilhantes em toda Pangeia. Uma felicidade tão grande que
transbordou, fez com que ele perdesse o estado atônito e abriu um sorriso junto
a ela – fez com que os reis clamasse para que todos trouxessem aquela moça para
si, mas os reis são impotentes quanto a vontade (espero eu que eles jamais
leiam isso, e se lerem, não saibam quem eu sou).
Ela, tão esperta, percebera toda a situação antes mesmo que
o ônibus partisse, mas continuou com sua plenitude, como as mais belas damas
agem em uma situação de perigo e explicou, mesmo sem perguntas, sem intenções –
o retrato da ciência, me atrevo a comentar que a ciência jamais seria tão
concisa quando Rebeca.
- Carla conseguiu uma vaga no curso de Direito noturno, ela
vai ficar vindo conosco. Não e legal? Nós três juntos novamente... Ela parou
aflita e evitou olha-lo, ela sabia o quanto sentimental ele ficava quando se
lembrava do acontecido nos últimos anos, apenas de raramente falar sobre isso.
A ciência não pode ser perfeita percebo agora.
-Vamos caçar! Ele sussurra com uma mão sobre os olhos
tentando esconder as lágrimas, mas quando o ônibus faz sua primeira parada e Alice
entra no ônibus, tudo que ele consegue fazer é apoiar sua cabeça no colo de Rebeca
e molhar toda a manga de sua camisa com as mais sinceras lágrimas que um
demônio poderia proferir. Mas os demônios não choram você sabia disso? Os
demônios apenas deixam algumas presas irem embora para que novas possam ser
capturadas. Isso foi o que ele fez durante toda a viagem.
Como poderia ele se sentir agora? Eu não sei se essas lágrimas
representam a tristeza ou a indignação de um homem impotente. Augusto que
outrora estragou os sonhos de Carla via agora a moça com o mais belo sorriso no
rosto, ela sempre tinha aquele sorriso, mesmo quando era cruel o que o impedia
de desgostar dela, ele odiava não poder odia-la.
Veja bem, no primeiro
semestre do corrente ano, Augusto – lembra-se agora, forjou um acidente na zona
rural onde a garota morava apenas para que ela não chegasse a tempo para a
prova. Como se não fosse bastante, entrou em sua casa escondido batizou seu
jantar para garantir que ela dormiria mais do que deveria, era segredo – não é
mais. Como pode o amor ter faceta tão destrutível? Ou seriam os homens
charlatões que abusam dessa palavra para se esconder? - isso me é alheio.
1
– A caça
Qual limite do poder das palavras? Elas
proferem realmente a máxima evolutiva dos sapiens?
Então como poderia um casal terminar na cama após a garota dizer alguns nãos e
recuar tremulamente enquanto um rapaz sussurra as artes inimagináveis da
conquista? Jamais poderia aquele mestre na frente dos alunos realmente
descrever a cena que acontecera ao lado de Augusto, jamais poderia aquele jovem
sussurrando ao ouvido de sua dama entender que de nada serviriam suas palavras.
Jamais poderia os homens entender como as palavras os tornavam abstraídos da
realidade, afinal, como podes tu ter certeza de que o que escrevo é o mesmo o
que vês? Augusto jamais imaginaria uma posição diferente para uma nação
ancorada em tais abstrações, a palavra é uma arma da qual todo homem deveria
aprender a se proteger desde o berço, mas ele não se importava que seus
semelhantes – na verdade ele não via semelhantes a si naquela sala – perecessem
na ignorância.
Como a hora passa rápido quando estamos
perdidos em nossas verdades absolutas, já eram quase dez e Augusto precisaria
ir procurar sua parceira para uma distração noturna. Ela não queria, não se
sentia bem em dividir intimidade com ele, mas não conseguia dizer não, o
desejo, o cheiro dele, ela achava simplesmente maravilhoso, ele era para ela o
maior pecado que ela provara e a maior bênção que os céus a concedeu, mas
precisava sair desse ciclo vicioso o mais rápido possível – mas não hoje, hoje
ela só queria sentir o mundo a seus pés.
- Ela era linda, tão serena, isolada,
usando preto! Como se o mundo não fosse feito para ela, o que estaria ela
fazendo nele então? Como uma bela dama que passeia à noite esperando contemplar
as estrelas e sentir o sereno em seus lábios fora abordada e violentada pelo
sol, eu jamais esperaria mulher mais perfeita para ser minha complacente. Eu
jamais ficara tão excitado em toda minha vida. Augusto declamava balançando seu
corpo suavemente e com os olhos fechados. Cabeça para cima a segurar o pomo de
uma espada artesanal com ambas as mãos naquele palco abandonada e sombrio como
se estivesse sozinho. Embora ele soubesse que Rebeca estava muito próxima a
você e que sua bela dama a quem declamava em segredo estava atrás das portas
tentando ler. Ele grunhiu muito alto para ter certeza que ela ouvira, mas Ella
tentava com afinco não dar atenção ao jovem. Algo em suas palavras realmente a
encantara. Como poderia algo tão inconveniente acontecer com aquele jovem. Como
poderia o destino ter cuidado para que um cético tivesse dia após dia à
provação de que Deus existe, um fardo que Augusto gostaria de partilhar
sozinho, embora enxergasse e compreendesse que ele não tem posição de quem pode
querer nada.
Felicidade, risos, petrificada,
confusa, melancólica, preocupada, respectivamente essas foram as máscaras
vistas caindo do rosto de Rebeca enquanto ela se aproximava. Quando ela conseguiu finalmente ouvir o
ranger de seus sapatos quebrarem a última máscara que ainda estava em processo
de solidificação molhar seus pés, fazendo com que um frio incomensurável
adentrasse em seu coração e tomasse seu fôlego, ela conseguiu lembrar-se do
significado daquilo tudo. Temia que Augusto estivesse novamente se apaixonando.
Ela pensava se ele já não aprendeu o bastante dessa vida, se fingia ou se era
um assunto particular – talvez um espinho em seu sapato que ele não conseguia
se livrar e sempre que ele pisava no chão sentia novamente a dor; ela realmente
não queria que ele pisasse no chão desta vez.
Há um tempo não muito distante ela o
vira com essa felicidade de um jovem apaixonado que estaria disposto a tomar
sozinho o reino de Camelot para agradar uma dama, que bela dama era Carla a
dona de sua inquietude que agora estava sendo trocada pela dona de seu silêncio.
Ele declamava as mais belas poesias da forma mais bela, com a mesma inocência e
felicidade de uma criança, ao menos era o que Rebeca podia enxergar – esfregou
os olhos para ter certeza de que sua visão não estava a enganando. Gritava aos
sete mares o quanto ela era perfeita, o quanto sua pele morena e macia faziam
contraste com a branquidão de seu sorriso. Ele jamais admitira em nenhum de
seus poemas o quão linda ela era, apenas o quão feliz ele ficará em sua
presença.
Certa noite ele passara cerca de cinco
dias escrevendo, foram os mais delicados minutos de sua vida, isolado em seu
quarto buscando a perfeição, no sexto dia ele finalmente havia terminado de
escrever o quinquagésimo esboço e jurava ter encontrado a perfeição de um conto
romântico, tinham mais de duzentas folhas no chão; rasgadas, meladas de café,
molhadas, mas curiosamente nunca amassadas. Ele transformou sua perfeição em um
soneto, ficara tão contente quanto o doutor Frankenstein. Na manhã seguinte ele
juntara os pedaços de seu corpo junto ao soneto e alegremente foi o primeiro a
chegar ao colégio, muito antes de alguém pensar em acordar ele abriu a escola e
quando questionado de quem dera tanto acesso para ele armar tudo aquilo ele
apenas disse para ninguém jamais duvidar de um homem que ama e para que jamais
subestimassem os sentidos de um poeta.
Ele não era poeta, muito menos autor e
ainda assim teve um apreço especial pelas palavras e os sentimentos durante
muito tempo em sua vida – mas manteve isso em segredo, ele sempre achou que
isso tiraria dele a masculinidade e o tornaria um mau líder – caso algum dia
precisasse se tornar um.
Estava lá no meio da quadra que rodeava
a escola. Armou com madeira e (salvo engano) polipropileno um palco colorido e
cadeiras enfileiradas. Apesar da confusão burocrática e da preocupação quanto à
segurança do colégio os mais ávidos e curiosos apenas sentavam e cochichavam de
excitação – na maioria moças que sempre admiraram a excentricidade e
conservadorismo de Augusto (Algumas eram fascinadas pela sensação de nocividade
que ele passava quando se sentia entediado), os mais céticos riam do jovem e
ele declarava a cada trinta segundos.
- EURECA! VOCÊS PRECISAM SABER DISSO!
Foi na sétima vez que ele proclamara a
frase que ele sentiu o que todo homem sente quando toma uma bebida quente num
dia frio, mas foi ao proclamar pela oitava vez que ele sentiu o que todo homem
sente ao se empolgar e tomar uma bebida quente rápido demais.
-Vamos lá ver amor!
Foram as palavras que ele ouviu claramente em
uma daquelas encruzilhadas da vida onde um homem sente-se tentado ao cavar um
buraco e tentar invocar o demônio mesmo que nunca tivesse sido sua intenção o
fazer. Precavido como sempre fora, ele resolveu então declarar para a multidão
que esperava uma explicação que não pudera conter a felicidade de ter
conseguido uma vaga num dos vestibulares da Universidade Estadual, feito para
muitos sem valor, o que é conseguir uma das vinte vagas que foram competidas
por dois mil alunos, diante do reflexo no espelho quando o homem pode sentir o
teor de sua própria natureza florescer? Inveja, admiração, ódio.
O soneto fora trancado junto com os
sonhos, nada mais fora proferido, ele apenas contara em enigmas mais tarde a
Rebeca o que acontecera e como se sentira, ela não o viu colocar outro sorriso
no rosto, até esta noite.
Aflita e indecisa, Rebeca resolvera não
pisar mais em máscaras e apenas apreciara a noite junto a seu amado amigo, nem
mesmo conseguira ouvir o final de sua mais nova... Ela nem ao menos conseguia
nomear aquilo, poesia talvez. Tudo que ela conseguira sentir era que Augusto
precisaria de sua companhia então, apreciou um bom café com ele enquanto ele
apresentava novos grãos e explicava para ela sobre acidez, aroma, torrefação e
outras coisas que ela jamais conseguirá ter interesse.
Não demorou muito para que Augusto
oferecesse uma xícara a jovem escondida que observava os dois.
- Eu tenho nos observado há algum
tempo. Ele falava enquanto esticava a ao convidando a moça ao sentar e tomar
café.
Ela era tímida demais para aquele tipo
de abordagem tão direta, mas se sentiu tentada a conhecer mais a fundo o rapaz.
- Prazer, meu nome é Isabella. Ela
sentou ao lado de Rebeca.
-
Ella? Perguntou Augusto. – Se não se importar claro.
A
moça ficou em silêncio, Rebeca também.
-
Desculpa, mas eu não pude parar de reparar em você. Uma Deusa cairia sobre seus
encantos. Não falo de sua boca rosada, de seus dentes perfeitos, ou seu cabelo
que cobre exatamente metade de seu olho direito. A garota ainda mais tímida
coloca o cabelo atrás da orelha e Augusto continua com um sorriso no rosto. –
Isso nunca me interessou sabe, eu vejo sua aura, ela é magnífica. Eu tenho
grande deficiência em descrever as pessoas, mas tentarei.
Rebeca
olha para Ella e parece tão encantada ou mais que Augusto, a própria moça se
surpreendeu com suas palavras direcionadas a Ella.
-
A sua aura é como um sereno, tão limpa. Uma chuva que não pertence ao corpo,
mas a alma. Quero dizer, quando a madrugada toma conta de meu corpo e me deixa
desacorçoada e eu senti aquele sereno tocar em minha pele, ele não me molha,
ele apenas me faz sentir viva. Você é um sereno!
Ella
recua pensando em ir embora, está dividida algo naqueles dois a faz querer
ficar então continua questionando.
-
Quem são vocês? Irmãos? Namorados? Algum tipo de maníacos?
-
Ser é uma questão relativa.
Augusto
evitou olha-la nos olhos e ela olhou para Rebeca. Augusto percebeu o desejo
aumentando e falou que ia pegar mais café em sua mochila, pediu para elas não
se preocuparem.
-
Como assim Ella perguntou a Rebeca quando ele saiu.
-
Eu não sei. Rebeca levava seu rosto bem próximo ao de Ella, ambas estavam
respirando de forma ofegante quando Rebeca chegou a distância suficiente para
sentir seu hálito com todo ardor ela concluiu. – Mas você precisa saber, não é?
-
você é? Ella pergunta novamente relutante sua cabeça avança e seu corpo recua.
-
Um monstro, esse seu livro diz? Ela fala apontando para a bíblia no bolso de
Ella. – As vezes.
-
Ele não diz. Ella fala antes que os lábios de Rebeca tocam os de Ella.
Depois
de alguns segundos Ella recua e diz.
-
Não, me desculpa!
-
Eu sei. Replica Rebeca.
Augusto
estava imerso em pensamentos, isso era o que significava caça para ele. Não era
o momento em que o homem encontrava a mulher, mas sim o momento em que duas
energias que um dia já se pertenceram encontravam uma a outra. Infelizmente
para ele, sua própria energia não passava de um amontoado de nadas que se
reajustava e reformulava-se em uma energia diferente. Ele nunca se pertenceu,
mas sempre pertenceu aos sentimentos alheios. Ele culpava Carla, depois que ela
partiu seu coração ele perdeu tudo, e tudo que ele tinha naquele momento já
poderia ser comparado a nada.
Augusto,
que estava observando, volta e contempla o silencio por um tempo demasiadamente
grande. Rebeca vai embora e o rapaz sente a liberdade de envolver Ella em seus
braços. Ela tenta relutar, cospe alguns nãos, mas seu corpo não segue sua voz.
Momento de agonia em um homem não há maior que quando seu corpo não obedece a
sua voz.
Homem,
essa palavra que Augusto tanto pronunciou em sua mente durante sua vida. Para
muitos essa palavra traz a sua mente músculos, bravura, masculinidade; para
Augusto a palavra significava uma coisa mais abstrata, era apenas uma palavra
para denominar uma espécie de um animal dentro os milhões desse planeta,
entretanto um com características mais fascinantes.
Ella
observou-o enquanto ele apenas contemplava as estrelas a seu lado, ele sabia o
motivo dela lutar contra seu corpo. Eram os homens, agora aqueles que você
define e não os que Augusto faz. Algum tinha ferido ela muito profundamente e
ela temia que Augusto, apesar de todo ar de pomposo, ela recuou e seu corpo
avançou, esperou uma resposta do rapaz. Ele não mais disse, quando a noite
terminou ele se sentia tão completo que apenas desejou boa noite e pediu
desculpas. Não deu nem tempo da garota pensar e foi embora, sentou no ônibus ao
lado de Rebeca e não falou nada, ele estava surpreso com a comparação que a
amiga fizera anteriormente e só pensava nisso, Rebeca também.
Na
noite seguinte ele foi até a turma de Ella, ficou esperando do lado de fora por
mais ou menos duas horas e quando ela saiu eles foram contemplar as estrelas
novamente. Ela alisava seu cabelo enquanto ele declamava um poema para ela. Ela
queria um beijo, avançou e ele recuou. Ele precisava mostra-la que não era
igual aos outros homens. Na terceira e quarta noite o mesmo cenário ocorreu. Na
quinta noite ela não esperou, enquanto eles contemplavam as estrelas ela
agarrou-o pelo rosto e beijou-o, ele enrijeceu o corpo inteiro, todos seus
pelos se eriçaram. “Deus, ela é melhor do que eu pensei!”. Ella enrubesceu.
Os
próximos dias foram mágicos para Augusto, mas como um sono que acaba ao décimo
sexto dia tudo parecia diferente, a máscara de Augusto havia caído, ele
enxergava a garota como ela realmente era. Algo nela não o agradava mais, tão
silenciosa, tão desejosa de ser possuída, tão objetificada. O tempo não foi
suficiente para que o amor se aflorasse.
-
Oh Deus! Rebeca, eu fui um cego. Ela não gosta de poemas, nunca mais eu hei de
escrever nada enquanto eu viver. As mulheres não entendem minha arte, o que
fazer. Eu já não sinto o amor que sentia antes. O sentimento de tristeza em
Augusto ia se transformando em ódio e o mais perto que ele chegava mais repudio
ele sentia por sua donzela.
-
Me desculpe, eu não sei. Rebeca estava muito aérea e Augusto muito bravo, mesmo
agora esse sentimento voltando a ser convertido a tristeza, antes que o ódio
fosse embora ele sussurrou a sua amiga com medo de que algum dos abutres ao
redor estragassem seus planos.
-
Eu terei de terminar com ela.
Ele
pensou por muito tempo como faria isso, mas quando a vigésima sétima noite
chegou e ele a encontrou contemplando as estrelas ele não mais declamou para
ela.
-
Não vai dar certo, me desculpe!
-
a garrota arregalou os olhos como se seu sonho real tivesse chegando ao fim.
-
Como assim? Algum problema? Os olhos lacrimejaram.
-
Não, eu só não posso confiar em alguém que não entende as almas das pessoas.
-
Mas eu, ela tentava relutar.
-
Não. Nosso final não é digno disso, eu estou indo.
Enquanto
o rapaz partia, Ella confusa gritava a ele.
-
Não. Você não pode viver para sempre se escondendo dessa forma, nós somos real
e a realidade te assusta, mas eu esperarei. Por você, eu sei que vale a pena.
Depois
que algumas semanas se passaram e ela percebeu que ele estava evitando-a ela
percebeu que ele não era diferente dos outros homens, não de uma forma boa,
ainda assim esperou por ele na certeza de que ele estaria bem ao seu lado.
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